Numeração VIN gravada no chassi de um veículo para identificação e inspeção veicular.
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Remarcação de chassi: o que é e como funciona

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Descobrir que a numeração de identificação do veículo está ilegível ou apresenta irregularidades durante uma vistoria é um problema complexo que trava imediatamente qualquer negociação de compra e venda. A dúvida sobre a procedência do automóvel surge na hora e o bloqueio administrativo é certo.

A remarcação de chassi é o procedimento técnico e legal previsto para regularizar esses veículos e devolvê-los à circulação. No entanto, o mercado automotivo ainda trata o assunto com cautela, gerando questionamentos sobre a aceitação por seguradoras e a real desvalorização do patrimônio.

Neste guia completo, explicaremos tecnicamente o que é remarcação de chassi, quais são os critérios exigidos pelo Detran para autorizar o serviço, como fica a questão do seguro e se vale a pena investir em um automóvel com essa condição no documento.

O que significa ter o chassi remarcado (REM)?

Um veículo com chassi remarcado é aquele que teve sua numeração original de fábrica danificada ou suprimida, exigindo uma nova gravação em outra parte da estrutura metálica. Esse processo só é válido mediante autorização prévia do órgão de trânsito.

Entendendo o código VIN: o DNA do seu carro

O chassi, conhecido mundialmente como VIN (Vehicle Identification Number), funciona como o DNA do automóvel. Trata-se de uma sequência única de 17 caracteres que informa o local de fabricação, ano, modelo e motorização. 

A integridade desse código é essencial para a segurança jurídica da propriedade. Saber verificar o número do chassi é a primeira medida preventiva ao avaliar um carro usado.

Por que a numeração original precisa ser regravada?

A regravação do chassi se torna obrigatória quando a identificação original se perde de forma irreversível. 

Isso ocorre tanto por fatores naturais, como chassi enferrujado quanto por ações criminosas que visam ocultar a origem de um veículo subtraído.

Sem essa numeração visível e íntegra, o carro é considerado irregular e fica impedido de circular.

A sigla “REM” no documento e o aviso de modificação

Após a regularização, o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) passa a exibir a anotação “REM” no campo de observações ou junto à nova sequência numérica. 

A letra REM no documento serve como um alerta público e permanente de que aquele bem sofreu uma alteração em sua característica de identificação mais importante.

Principais motivos que exigem a remarcação

Embora o estigma de crime seja forte, nem todo chassi remarcado provém de ações ilícitas. Existem diversas situações técnicas que levam à necessidade do procedimento:

  • Desgaste natural: ação do tempo em veículos antigos;
  • Fatores climáticos: maresia em regiões litorâneas;
  • Recuperação de sinistros: danos estruturais graves;
  • Ação criminosa: adulteração durante roubo ou furto.
  • Furto ou Roubo: quando os criminosos adulteram a peça

Quando um veículo é alvo de furto ou roubo, é comum que os criminosos tentem suprimir a numeração original (lixando ou recortando a peça) para clonar o automóvel. 

Ao ser recuperado pela polícia, se a perícia constatar que a numeração foi violada, o carro roubado só poderá voltar às ruas legalmente após passar pelo processo de remarcação de chassi.

Corrosão e Ferrugem: o desgaste natural em regiões litorâneas

A oxidação é uma inimiga silenciosa, especialmente em caminhonetes e utilitários que trafegam em áreas úmidas ou de praia. A ferrugem pode corroer o metal exatamente sobre os caracteres, tornando-os ilegíveis. 

Nesses casos, a remarcação de chassi por causa de ferrugem é uma correção necessária devido ao desgaste material, sem qualquer vínculo com atividades ilegais.

Acidentes graves (Perda Total ou Média Monta) que afetam a estrutura

Colisões que atingem a longarina ou o assoalho do passageiro (locais comuns de gravação) podem exigir o corte e a substituição da peça metálica. 

Como a nova peça de reposição vem lisa, sem numeração, a gravação deve ser feita novamente mediante autorização e laudo técnico.

Como fazer a remarcação de chassi legalmente (Passo a Passo)

O procedimento para remarcação do chassi é rigoroso e burocrático. Seguir as etapas corretas evita que você seja acusado de adulteração. O fluxo deve seguir esta ordem:

1. Autorização prévia do Detran (nunca faça por conta própria!)

A regra de ouro é: jamais tente restaurar ou remarcar a numeração em oficinas não autorizadas. Isso configura crime. O proprietário deve comparecer ao Detran e abrir um processo administrativo solicitando a autorização formal para o serviço.

2. Vistoria veicular e Laudo Pericial

O órgão de trânsito exigirá uma vistoria veicular lacrada ou encaminhará o veículo para a perícia da Polícia Científica/Civil. O objetivo é confirmar a originalidade do restante do veículo (motor, câmbio, vidros) e atestar que a remarcação é a única solução viável.

3. Onde realizar o serviço: empresas credenciadas

Com o laudo positivo e a autorização para remarcar o chassi em mãos, o serviço deve ser executado por uma empresa credenciada pelo Denatran. 

Essas empresas possuem equipamentos específicos que gravam a nova numeração seguindo padrões de profundidade e espaçamento, emitindo nota fiscal do serviço.

4. Emissão do novo documento (CRV/CRLV) atualizado

Após a execução física, é necessário retornar ao Detran para validar a alteração no sistema e emitir a segunda via CRLV. O novo documento digital já constará a observação necessária para transitar livremente.

Carro com chassi remarcado desvaloriza? A verdade sobre o mercado

A desvalorização do chassi remarcado é uma realidade inegável. Por mais que o veículo esteja em perfeito estado mecânico, o histórico documentado afeta o valor comercial.

A perda de valor na revenda (20% a 30% abaixo da Fipe)

Ao negociar a venda ou comprar carro com chassi remarcado, o deságio é praticado quase como regra. A desvalorização média gira entre 20% e 30% sobre a Tabela Fipe. 

Para quem busca economia, pode ser uma oportunidade, mas é preciso saber como comprar um carro avaliando se o desconto compensa a dificuldade futura de revenda.

Dificuldade de aceitação em lojas e concessionárias

A liquidez desses veículos é baixa. A maioria das concessionárias e lojas de seminovos recusa pegar veículos com a anotação REM na troca, pois sabem que terão dificuldades para repassá-los ao consumidor final ou financiá-los.

Transparência na venda: é obrigatório avisar o comprador?

Sim. O Código de Defesa do Consumidor protege o comprador contra vícios ocultos. Vender um veículo remarcado sem informar essa condição é ilegal e passível de anulação do negócio, além de indenização por perdas e danos.

Seguro para veículos remarcados: aceita ou recusa?

A dúvida se seguro aceita veículo com chassi remarcado é uma das maiores preocupações. O cenário exige pesquisa.

Por que muitas seguradoras negam a cobertura 100%?

As seguradoras tradicionais analisam o risco e o valor de reposição. Como o valor de mercado de um REM é inferior à tabela, muitas companhias recusam a apólice para evitar pagar 100% da Fipe em um bem que vale comercialmente 70%.

A cobertura reduzida (70% a 80% da tabela Fipe)

Quando há aceitação, é comum que a apólice contenha uma cláusula de depreciação, garantindo cobertura de apenas 70% a 80% do valor de referência em casos de Indenização Integral (roubo ou perda total).

Alternativas: Proteção Veicular e Seguradoras especializadas

Caso encontre portas fechadas nas grandes seguradoras, as associações de proteção veicular costumam aceitar veículos com letra REM no documento com mais facilidade, ajustando a mensalidade e a cota de participação ao perfil do veículo.

Cuidados ao comprar um carro usado com chassi REM

Se o preço atrativo justifica comprar carro com chassi remarcado para o seu uso pessoal, a cautela deve ser redobrada na avaliação.

Como identificar a remarcação visualmente (acabamento diferente)

A gravação feita na fábrica é industrial e perfeita. A remarcação de chassi posterior, mesmo legal, possui características visuais distintas, geralmente feita por punção (pontilhada) e, muitas vezes, em locais alternativos como a torre do amortecedor ou assoalho interno.

A importância do Laudo Cautelar para confirmar a procedência

O laudo cautelar é indispensável. Ele apontará não apenas a remarcação, mas se houve danos estruturais associados (como batidas fortes) que comprometam  a segurança do veículo, além da simples numeração.

Exija o histórico do motivo (foi roubo ou apenas ferrugem?)

Entender a origem tranquiliza a compra. Um REM causado por corrosão leve é menos problemático estruturalmente do que um veículo recuperado de furto que foi desmontado. 

Utilize ferramentas para consultar o Renavam pela placa do veículo e verifique ocorrências anteriores. Se houve roubo, certifique-se de saber como tirar restrição de roubo e furto do sistema antes de transferir o dinheiro.

O que fazer se o chassi estiver ilegível na vistoria?

Ter a vistoria reprovada de chassi por ilegibilidade não significa necessariamente que você precisará remarcar. Existem etapas anteriores.

Limpeza da área: às vezes é apenas sujeira

O acúmulo de graxa, barro ou tinta em excesso pode dificultar a leitura. Uma limpeza cuidadosa na área da gravação pode tornar os caracteres visíveis novamente e aprovar o veículo.

O processo de recuperação química (revelação) feito pela perícia

Se a limpeza mecânica falhar, a perícia técnica utiliza reagentes químicos metalográficos. Esse processo, chamado de revelação, pode trazer à tona a numeração original gravada no metal, dispensando a necessidade de uma nova remarcação de chassi.

Quando a remarcação se torna a única saída para transferir

Se a corrosão for profunda ou a adulteração tiver removido material metálico excessivo, a recuperação química será ineficaz. Nesse cenário, a remarcação do chassi se torna a única via legal para regularizar a documentação e permitir a transferência de propriedade.

Mantenha a documentação regular e evite a apreensão

Rodar com irregularidades na identificação do veículo é infração gravíssima e pode levar à apreensão do bem para averiguação policial. Além disso, a regularização do chassi exige que todos os débitos estejam quitados. 

Se o veículo possuir IPVA atrasado ou multas pendentes, o processo no Detran será bloqueado. Evite ter que lidar com os custos de como tirar carro do pátio mantendo as taxas em dia.

Perguntas frequentes sobre Remarcação de Chassi (FAQ)

Quanto custa para remarcar o chassi no Detran?

O custo total para remarcar o chassi no Detran envolve taxas estaduais, laudo de vistoria e o serviço da empresa credenciada. Em média, o valor oscila entre R$ 400,00 e R$ 900,00, dependendo do estado e da complexidade do laudo.

Demora quanto tempo para regularização do chassi?

O processo de regularização do chassi, que inclui agendamento de perícia, emissão de laudo técnico e autorização do Detran, costuma levar de 30 a 60 dias até a emissão do novo documento.

Chassi remarcado reprova na vistoria de transferência?

Chassi remarcado não reprova na vistoria de transferência, desde que a remarcação esteja devidamente anotada no campo de observações do documento (CRLV) e os números estejam legíveis. Se houver remarcação física sem a anotação no documento, o veículo reprova.

Posso viajar para o Mercosul com carro remarcado?

Sim, a circulação no Mercosul é permitida se a documentação estiver regular. Recomenda-se levar o laudo ou documentos que comprovem a legalidade da remarcação para facilitar a fiscalização em fronteiras.

A remarcação de vidro também é obrigatória?

Sim. A numeração do chassi gravada nos vidros deve coincidir com o documento. Se houver troca de chassi ou de vidros, a gravação correta (Vis) deve ser feita para aprovação em vistoria.

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