Multa por excesso de velocidade
Categories:

Multa por excesso de velocidade: valores, pontos na CNH e como recorrer

4.9
(143)

Recebeu uma notificação e ficou na dúvida sobre o valor da multa por excesso de velocidade? Fica tranquilo: o primeiro passo é conferir três informações no documento — a velocidade permitida, a velocidade medida pelo radar e a velocidade considerada para aplicar a penalidade.

Esses números não são necessariamente iguais. Existe uma margem técnica descontada da medição do equipamento, e é a velocidade considerada que define o enquadramento da infração.

Neste guia, você vai entender como funciona a multa por excesso de velocidade, quais são os valores e os pontos na carteira, quando existe suspensão da CNH e como recorrer caso encontre algum erro na autuação.

Consulte sua placa grátis

Como funciona a multa por excesso de velocidade?

A multa é aplicada quando um equipamento ou agente de fiscalização registra o veículo circulando acima da velocidade máxima permitida para o local.

O artigo 218 do Código de Trânsito Brasileiro divide a infração em três faixas:

  • até 20% acima do limite;
  • mais de 20% e até 50% acima do limite;
  • mais de 50% acima do limite.

Essa divisão é importante porque determina a gravidade, o valor da multa, a quantidade de pontos e a possibilidade de suspensão da CNH.

Imagine uma via com limite de 60 km/h. Depois do desconto da margem técnica, uma velocidade considerada de até 72 km/h entra na primeira faixa. Acima de 72 km/h e até 90 km/h, entra na segunda. Acima de 90 km/h, o caso passa para a terceira faixa.

Mas atenção: o enquadramento usa a velocidade considerada, e não apenas o número que apareceu no visor do radar.

Na notificação, você normalmente encontra:

InformaçãoO que significa?
Velocidade permitidaO limite definido para aquela via
Velocidade medidaO número registrado pelo equipamento
Velocidade consideradaO resultado após o desconto da margem técnica

Essa diferença existe para considerar o erro máximo admissível do equipamento. Ela não é uma “tolerância para correr”, mas uma correção técnica aplicada à medição.

Tolerância do radar e margem de erro do Inmetro

Muita gente fala que o radar tem uma tolerância de 7%. Mas olha só: não é exatamente assim em todas as velocidades.

De acordo com o Inmetro, para medidores fixos, estáticos e portáteis em serviço, o erro máximo admissível é de 7 km/h para velocidades de até 100 km/h. Acima de 100 km/h, o desconto corresponde a 7% da velocidade medida.

Veja alguns exemplos:

Velocidade medidaDesconto aplicadoVelocidade considerada
67 km/h7 km/h60 km/h
87 km/h7 km/h80 km/h
100 km/h7 km/h93 km/h
110 km/h7%Aproximadamente 102 km/h

Os valores oficiais devem aparecer na notificação de autuação. Por isso, ao receber uma multa, confira se a velocidade considerada foi calculada corretamente.

Também é importante verificar se o equipamento estava regular. A aferição dos radares eletrônicos precisa atender aos requisitos técnicos e metrológicos aplicáveis, incluindo a verificação do Inmetro ou do órgão metrológico responsável. 

A Resolução Contran nº 798/2020 estabelece os requisitos mínimos para a fiscalização de velocidade.

Valores e pontuação das multas por velocidade

O valor da multa por excesso de velocidade muda conforme a porcentagem ultrapassada. A pontuação também acompanha a gravidade da conduta.

Para facilitar a comparação, veja a tabela:

Excesso registradoNaturezaValorPontosSuspende diretamente a CNH?
Até 20% acima do limiteMédiaR$ 130,164 pontosNão
Mais de 20% até 50%GraveR$ 195,235 pontosNão
Mais de 50%Gravíssima, com fator 3R$ 880,417 pontosSim

Os valores seguem as categorias e penalidades previstas no CTB. No terceiro caso, a multa gravíssima de R$ 293,47 é multiplicada por três, chegando a R$ 880,41.

Até 20% acima do limite: valor, pontos e características

A multa por excesso de velocidade de até 20% acima do limite é uma infração média.

Ela gera:

  • multa de R$ 130,16;
  • quatro pontos na CNH;
  • nenhuma suspensão automática do direito de dirigir.

É aqui que entra uma das buscas mais comuns: “multa por excesso de velocidade até 20, quantos pontos?”. A resposta é quatro pontos, desde que a velocidade considerada tenha ficado dentro dessa primeira faixa.

Vamos a um exemplo.

Em uma via limitada a 60 km/h, uma velocidade considerada de 66 km/h representa um excesso de 10%. Portanto, o enquadramento é de infração média.

Embora seja a faixa menos severa do artigo 218, ela não deve ser ignorada. Os pontos entram no prontuário do condutor depois da conclusão do processo administrativo e podem contribuir para uma suspensão por acúmulo, dependendo das demais infrações registradas no período.

De 20% até 50% acima do limite: valor, pontos e características

Quando a velocidade considerada fica mais de 20% e até 50% acima do limite, a infração é grave.

Nesse caso, a penalidade é:

  • multa de R$ 195,23;
  • cinco pontos na CNH;
  • sem suspensão automática por essa infração isolada.

Em uma via com limite de 60 km/h, por exemplo, uma velocidade considerada de 78 km/h está 30% acima do permitido. O caso entra, portanto, na segunda faixa.

Quer entender como essa classificação afeta a carteira e quais outras condutas entram na mesma categoria? Veja o conteúdo sobre multa grave.

Mais de 50% acima do limite: suspensão da CNH e multa autossuspensiva

Dirigir mais de 50% acima da velocidade permitida é uma infração gravíssima. Além de sete pontos, ela prevê multa com fator multiplicador três e suspensão do direito de dirigir.

As consequências são:

  • multa de R$ 880,41;
  • sete pontos;
  • abertura de processo de suspensão da CNH;
  • recolhimento do documento de habilitação, conforme o processo aplicável.

Esse tipo de infração é chamado de autossuspensiva porque pode gerar a suspensão mesmo que o motorista não tenha atingido o limite geral de pontos na carteira.

Por exemplo: em uma via limitada a 60 km/h, uma velocidade considerada acima de 90 km/h supera o limite em mais de 50%. Nesse caso, aplica-se a terceira faixa.

O valor de R$ 880,41 resulta do fator multiplicador de multas. Ele aumenta o valor-base da infração gravíssima sem multiplicar os sete pontos.

Como recorrer da multa por excesso de velocidade? Passo a passo

Todo motorista tem direito de contestar uma autuação. Mas o recurso precisa apresentar fatos, documentos ou inconsistências que justifiquem o pedido.

Dizer apenas que não viu o radar, estava com pressa ou desconhecia o limite geralmente não demonstra irregularidade na autuação.

Antes de começar, leia toda a notificação e confira:

  • órgão responsável;
  • placa e dados do veículo;
  • local, data e horário;
  • velocidade permitida, medida e considerada;
  • identificação do equipamento;
  • prazo para apresentar a defesa.

O processo costuma ter três oportunidades principais: defesa prévia, recurso à Jari e recurso em segunda instância.

1ª etapa: defesa prévia e identificação de erros na autuação

A defesa prévia acontece depois da notificação de autuação e antes da imposição da penalidade.

É o momento de questionar problemas formais, como placa incorreta, veículo diferente, local incompleto, duplicidade ou inconsistência na identificação do radar. A defesa também pode apontar o envio da notificação fora do prazo legal.

A notificação deve informar o prazo para apresentação da defesa, que não pode ser inferior a 30 dias contados da data de expedição.

Em geral, o motorista precisa apresentar o formulário do órgão, cópia da notificação, documento de identificação, documento do veículo e provas relacionadas ao argumento utilizado. Os documentos exatos podem variar, então confira as instruções do órgão autuador.

2ª etapa: recurso em 1ª instância na Jari

Se a defesa prévia não for aceita ou não tiver sido apresentada, a penalidade pode ser aplicada. Depois disso, o motorista recebe a notificação de penalidade e pode recorrer à Junta Administrativa de Recursos de Infrações, a Jari.

Nessa fase, é possível discutir tanto questões formais quanto o mérito da autuação. O recurso deve explicar de forma clara o que está sendo contestado e apresentar os documentos que sustentam o pedido.

O prazo aparece na notificação. Não é uma boa ideia deixar para o último dia, porque qualquer problema no protocolo pode impedir a análise.

A Jari é responsável por julgar o recurso em primeira instância administrativa.

3ª etapa: recurso em 2ª instância no Cetran

Se a Jari negar o pedido, ainda pode existir a possibilidade de recurso em segunda instância.

Nas infrações aplicadas por órgãos estaduais ou municipais, o julgamento geralmente cabe ao Cetran, o Conselho Estadual de Trânsito. Em outros casos, o órgão julgador pode ser diferente, conforme a autoridade responsável pela autuação.

Esse recurso só pode ser apresentado depois da decisão da Jari e dentro do prazo indicado na notificação do resultado.

Aqui, vale revisar a decisão anterior e responder diretamente aos motivos usados para negar o primeiro recurso. Repetir um texto genérico, sem enfrentar os pontos da decisão, pode enfraquecer o pedido.

Para acompanhar todas as etapas com mais detalhes, veja o guia sobre como recorrer de multa de trânsito!

Principais argumentos para anular a multa de radar

Não existe um argumento mágico que cancele qualquer multa. O pedido precisa estar ligado a um problema real e comprovável no caso específico, ok?!

Entre os pontos que merecem conferência estão a regularidade do equipamento, os dados obrigatórios da autuação, a sinalização da via e o prazo de expedição da notificação.

Radar sem aferição em dia ou sinalização inadequada

O radar precisa atender às exigências técnicas e passar pelas verificações metrológicas previstas. Caso o equipamento não estivesse regular na data da medição, isso pode ser usado como fundamento, desde que a irregularidade seja comprovada.

O motorista pode buscar informações sobre o aparelho indicado na notificação e verificar sua situação junto ao Inmetro ou ao órgão metrológico delegado.

A sinalização também deve ser analisada. O limite da via precisa estar devidamente regulamentado, e os equipamentos de fiscalização devem obedecer aos critérios da Resolução Contran nº 798/2020.

Mas cuidado com argumentos prontos encontrados na internet. A simples alegação de que o radar estava escondido, por exemplo, não garante o cancelamento. É necessário mostrar qual regra foi descumprida e juntar provas.

Erros no auto de infração: placa, modelo do carro ou local incorreto

Dados inconsistentes também podem justificar uma defesa.

Vale conferir se a placa de trânsito, marca, espécie e demais características correspondem ao seu veículo. Observe também o local, a data, o horário e o código da infração.

Um erro pequeno de digitação nem sempre cancela automaticamente a autuação. O ponto principal é verificar se a falha prejudica a identificação do veículo, a compreensão do fato ou o exercício da defesa.

Se o carro estava em outro lugar, reúna provas, como recibos de estacionamento, imagens, registros de pedágio ou documentos que mostrem a localização. Em casos de possível clonagem de placa, pode ser necessário registrar a ocorrência e seguir as orientações do Detran.

Também confira se a notificação de autuação foi expedida dentro de 30 dias contados da data da infração. O prazo se refere à expedição pelo órgão, não necessariamente ao dia em que a carta chegou à residência. Se a notificação não for expedida no prazo legal, o auto deve ser arquivado.

Para não confundir as fases, entenda a diferença entre notificação de autuação e notificação de penalidade.

Perguntas frequentes sobre multa de velocidade

Multa por excesso de velocidade suspende a CNH provisória?

Sim. Com a CNH provisória, o motorista não pode ter infração grave ou gravíssima nem repetir infração média. Uma multa de até 20% acima do limite é média. Acima de 20%, a infração já é grave ou gravíssima e impede a CNH definitiva.

Qual nota você dá pra esse conteúdo?

Clique nas estrelas

Média das avaliações 4.9 / 5. Número de votos: 143

Seja o primeiro a avaliar! Nenhum voto até agora :(

Lamentamos que este post não tenha sido útil para você!

Vamos melhorar ele!

Diga-nos, como podemos melhorar este post?

Avatar image of Pedro Vogado
Written by

Pedro Vogado

Sou Pedro Vogado, Cofundador e Diretor de Government Affairs da Zapay e Presidente da ABREMPAG (Associação Brasileira das Empresas de Meios de Pagamentos de Débitos Veiculares e Tributos Governamentais). Além disso, tenho bacharelado em Administração pela Universidade Norte do Paraná e bacharelado em Direito pelo Centro Universitário de Brasília. Desde cedo, sempre fui apaixonado por iniciativas das empresas privadas que ajudam o setor público a evoluir, por isso, sempre empreendi para colocar esse propósito em prática. Afinal, ao evoluir o setor público e ajudar a fazer as coisas de forma mais eficiente, todos saem ganhando. Na Zapay, tenho a responsabilidade de gerir todos os convênios e conexões da Zapay com os DETRANs e órgãos públicos, sou eu quem lido com todas as estratégias associadas a isso. Na ABREMPAG, eu lidero as discussões relacionadas ao setor de meios de pagamentos de débitos veiculares junto aos órgãos e entidades de trânsito do Brasil, em nome das mais de 11 empresas associadas. Tudo isso me trouxe grande experiência no universo das taxas veiculares e nos requisitos para andar com o veículo sempre dentro da lei. Pensando em compartilhar vocês a minha vivência e todo esse conhecimento adquirido, eu escrevo aqui no Blog Zapay sobre assuntos relacionados aos processos dos DETRANs e dos demais órgãos de trânsito, além de tudo o que envolve o pagamento de IPVA, Licenciamento e Multas. Espero que os meus conteúdos - recheados de dicas e atalhos - ajudem a tirar as suas dúvidas e facilitem o seu dia a dia. Confira também o meu Linkedin: https://www.linkedin.com/in/pedro-vogado/